Mostrando postagens com marcador Sherry Turkle. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sherry Turkle. Mostrar todas as postagens

Por que o Google Glass não é o futuro que precisamos


Por Pedro Burgos

O brinquedo tecnológico mais falado de 2012 não é um videogame, um iQualquer coisa ou o tablet da Microsoft, e sim o Google Glass. Porque nada parece tão 2030 quanto um computador-com-tela-acoplada-aos-óculos. Nos grandes jornais e portais, ele sempre é tratado como os “óculos do futuro”, e os efeitos especiais do primeiro vídeo de apresentação fez fãs de Homem-de-Ferro criarem grandes expectativas. Faltava vê-lo funcionando na prática. Na última semana, em seu grande evento anual, o Google poderia ter gastado todas as forças no novo tablet com um custo-benefício incrível, ou a versão para Android mais rápida e bonita, mas a gigante preferiu gastar muitos, muitos minutos e uma surperprodução digna de Michael Bay para anunciar que o Glass já estava mais ou menos funcionando, e estaria disponível para alguns desenvolvedores em algum momento de 2013 por US$ 1.500. Os fãs suspiraram, decepcionados, porque queriam o futuro agora. Eu não. Espero que ele morra o quanto antes, na fase de projeto. Para o bem da humanidade.

Eu já tinha minhas reservas em relação ao Google Glass, mas parecia estar sozinho nas críticas: a reação geral dos comentaristas à notícia dos óculos com um HUD era maciçamente positiva. E quem colocava em dúvidas o sentido do Glass ganhava logo a resposta automática que me fez parar de ter vontade de escrever sobre tecnologia: “Se fosse da Apple, você chamaria de mágico”. O argumento mais elaborado vinha na forma de “não podemos criticar o futuro sem saber como é” ou algo assim. Mas bom, acho que podemos criticar uma visão de futuro.

As pessoas de hoje (ao menos as que comentam na internet), parecem tão acostumadas a ter a atenção dividida que querem incorporar este modus operandi a todas as horas acordadas. Se assistimos ao Oscar e tuitamos no smartphone ou jogamos videogame prestando atenção em inúmeros contadores, nada mais normal que um picture-in-picture da vida real. “Pense nas possibilidades! Isso sim é revolucionário!”, diriam os mais empolgados, querendo aumentar o alcance da realidade aumentada.

Pensando videogamísticamente, é claro que há uma real utilidade para o Google Glass em algumas situações: médicos poderiam se beneficiar vendo, durante uma cirurgia, tanto as reações do paciente quanto a microcâmera dentro de uma incisão; militares ou policiais de forças especiais poderão receber informações visuais críticas mantendo o foco no que está à frente. Talvez engenheiros, biólogos e outros consigam usá-lo em situações profissionais, muito específicas e temporárias. Para mim, o ideal é que tudo funciona da mesma forma que um capacete de piloto: acabou o uso, você tira. Como o capacete de piloto, aliás, a ideia está muito longe de ser nova. Em um artigo de 1945, o engenheiro Vannevar Bush escreveu um artigo imaginando um futuro em que os cientistas usariam óculos capazes de fotografar automaticamente “tudo que fosse digno de registro”. Quando estiver funcionando perfeitamente, é o que o Glass pretende fazer.

Mas o que vimos na apresentação cheia de pirotecnia também não foi nada muito novo: pessoas com capacetes ligeiramente menos embaraçosos que registravam coisas “dignas de registro”. O uso demonstrado, de pessoas saltando de para-quedas e andando de bicicleta enquanto transmitiam as imagens para o mundo não foi muito diferente de uma câmera de ação no capacete com um modem nas costas (os paraquedistas tinham roteadores na mochila). Não entendo como uma câmera menor nos óculos pode ser tão incrivelmente diferente ou revolucionária. Mas pelos aplausos e comentários insanamente empolgados em blogs alhures, as pessoas aparentemente acham isso divertidíssimo e o querem hoje.

Mas o problema para mim é que ao fim da demonstração, os Googlers não tiravam os óculos. O que me incomoda profundamente na visão de futuro do Google é que eles acham que alguém fora Sergey Brin gostaria de usar isso o tempo todo. Um futuro assim é perturbador. Por vários motivos.

Privacidade e novas regras sociais

Ninguém se comporta naturalmente quando se depara com uma câmera ou um gravador. Mudamos a voz para falar, confidenciamos menos, somos mais atentos ao que fazemos, menos espontâneos – à exceção, talvez, de certos participantes da Fazenda. Agora, imagine encontrar um amigo com um mecanismo de transmissão na cara. É óbvio que as pessoas não reagirão naturalmente. Babak Parviz, o chefe do time do Glass, é polianamente otimista, e disse ao AllThingsD que a “etiqueta digital” vai evoluir, com as pessoas se acostumando a alertar as outras que estão gravando. Será que todos ficarão com a síndrome-do-tio-chato (que manda todo mundo sorrir pra fotos o tempo todo no Natal)? No mundo real, pelo que eu conheço da natureza humana, a graça vai ser justamente gravar sem o conhecimento do fotografado. Se o Glass vingar, espere uma profusão ainda maior de galerias de creep shots (no Brasil, os tais flagras de meninas com roupa de academia e coisas assim), como essa do reddit. Parece divertido pra você? Pense em outros desdobramentos.

Em setembro de 2010, Dharun Ravi, de 20 anos, tuitou: “Meu colega de quarto me pediu o quarto até a meia noite. Eu fui ao quarto e liguei a webcam. Eu o vi transando com um cara. Yay.” O seu tímido recém-chegado colega de quarto da Universidade de Rutgers, Tyler Clementi, 18 anos, obviamente não sabia que seu encontro estava sendo transmitido via um Justin.tv da vida. Três dias depois, Clementi se suicidou, num caso que provocou amplas mudanças na lei e campanhas nas universidades americanas. Sim, é um caso extremo com uma reação extrema. Mas pense de novo no caso das fotos e vídeos de “ex-namoradas” que vazaram. Há inegáveis estragos sobre as vítimas. Agora pense numa ferramenta que permite tornar isso incrivelmente mais fácil e discreto, que precisa de zero tempo de setup e onde o xeretado não fica sabendo. Você pode ser uma pessoa de bem, mas nós como sociedade estamos preparados para usar isso de maneira responsável?

Pouco depois do suicídio de Clementi, Walter Krin escreveu no New York Times que George Orwell imaginou o “futuro” (os nossos tempos atuais) de maneira bem mais simples há 60 anos, quando escreveu 1984. Para Krin, em vez de termos um “Big Brother” que vigia todos, temos um exército desorganizado de Little Brothers, que não precisa de uma ditadura para criar um estado de vigilância. “A invasão da privacidade – de outras pessoas mas também de você mesmo, enquanto nós apontamos as nossas lentes para a gente na busca pela atenção a qualquer preço – foi democratizada.” O artigo fala da profusão de webcams e câmeras no celular que nos taggeiam em fotos embaraçosas no Facebook ou vídeos no Youtube. Queremos, de novo, um aprofundamento deste problema?


Poucas vezes o The Onion falou tão sério quanto neste vídeo onde um diretor da CIA diz que o Facebook reduziu os custos dos espiões.

Já temos imagens o suficiente, obrigado

Ontem de manhã o Instagram ficou fora do ar. No Twitter, começaram as piadas, do tipo “A comida vai esfriar. O Instagram precisa voltar pra eu tirar foto”. Ou “como vou aproveitar o dia de sol em São Paulo sem o Instagram?” Alguns acharam uma forma.


























A piada do #instagramporescrito expõe nosso vício em compartilhar imagens o tempo todo. Há imagens lindas, mas há imagens sem contexto, imagens banais, imagens importantes que se perdem no meio de mil outras. Não sou contra o Instagram, pelo contrário: eu adoro o negócio. Mas dificilmente posto mais de uma foto por semana e sigo bem pouca gente. O ponto, no Instagram e em qualquer outra tecnologia, é saber como usá-la e saber até que ponto ela é boa: se você se vicia em likes e compartilhamentos, pode ficar extremamente ansioso se ficar sem (algumas pessoas que conheço morreriam sem o 3G); da mesma forma, seus amigos podem perder interesse nas suas histórias genuinamente interessantes quando elas se perdem entre 80 mil updates banais. Não é fácil achar o equilíbrio.

A discussão sobre o poder e o excesso do uso da imagem, obviamente, também não é nova. Em 1890, por exemplo, quando uma foto não autorizada do casamento da filha de Samuel Warren, um advogado inglês, foi publicada, os advogados reclamaram da revolução industrial, de como as fotos estavam “invadindo a privacidade”. E nos anos 1970, Susan Sontag já decretava que “viajar se tornou uma estratégia para acumular fotos”. Sobre isso, Sherry Turkle, do espetacular Alone Together: why we expect more from technology and less from people (Sozinhos, juntos: por que esperamos mais da tecnologia e menos que das pessoas), se pergunta:

Na cultura digital, será que a vida se torna uma estratégia para estabelecer um arquivo? Pessoas jovens moldam a vida para produzir um perfil de Facebook que impressiona. Quando nós sabemos que tudo em nossas vidas é capturado, será que vamos começar a viver a vida da forma que sonhamos ser arquivada?

A pergunta parece exagerada, mas o Instagram por escrito e o fato de as pessoas esconderem Lady Gaga de seu Last.fm faz a reflexão necessária: a nossa capacidade de registrar e transmitir ao mundo não têm o poder de moldar sutilmente nossas atitudes? Quando estivermos com um aparato que marca cada passo nosso e registra cada imagem que passa pelas nossas retinas, será que este estímulo narcisista não ficará ainda mais poderoso e irresistível?

Pelo histórico e a lógica de negócios do Google, o constante registro e arquivamento da nossa vida – e não o uso ocasional – parece ser o objetivo do Glass: das buscas registradas no Google aos lugares que marcamos no Maps ou fotografamos para o Picasa, tudo é informação relevante para a empresa de Mountain View vender o seu principal produto: nós todos. Parece papo conspiratório, mas 98% do dinheiro que o Google ganha vem da publicidade. Os esforços para aumentar o alcance de sua rede G+ são justamente uma reação ao Facebook: a rede de Zuckerberg sabe cada vez mais detalhes sobre nós, e pode vender anúncios mais direcionados, mais valiosos. Vale a autocitação? O que eu acho importante:

Ninguém quer usar o Google+, porque os amigos estão todos no Facebook – ou fora das redes sociais. Mas o Google precisa do social. Então por que não criar um outro mecanismo, tipo óculos que coletam informações pessoais ainda mais íntimas e específicas, que as pessoas ainda estejam com vontade de pagar uma grana razoável para ter? No papel, parece o sonho da grande empresa de publicidade que é o Google. E, como tudo que vem da empresa, as pessoas parecem ok em ceder muitas informações pessoas para ter um serviço gratuito ou muito barato em troca. O acordo tem funcionado.


Mas mesmo para quem tem a visão romântica de que o Google é uma empresa “do bem”, seguindo uma “visão” de seus fundadores de não fazer o mal e que, ao contrário de todas as outras, seu objetivo principal não é o lucro, mas sim evoluir a tecnologia da humanidade e o acesso ao conhecimento. A pergunta permanece: pra quê colocar na rua este trambolho? De que maneira ele melhora – somando as facilidades e subtraindo os problemas – a nossa vida? O motivo pode ser trivial: muitas das coisas que o Google faz não tem o uso de pessoas normais ou os benefícios sociais levados em consideração em primeiro lugar. É uma empresa excessivamente de engenheiros, para aficionados por tecnologia. Mas o Google Glass especificamente é de longe o pior exemplo disso.

Acompanhe a apresentação do produto. A dupla de engenheiros-criadores cita várias situações em que o Google Glass iria “mudar nossas vidas” e para cada uma delas eu tinha uma resposta.


Vale ver, não só pra ficar mais claro quão socialmente ineptos são os criadores do Glass, mas para tentar entender a argumentação.

* “Um cara do nosso grupo postou essa foto dele chegando de uma corrida, que não seria possível sem os óculos”. Minha resposta: Alguém precisa disso? O tanto de “Eu completei uma corrida com o Nike+” na minha timeline não é suficiente? Pra que ele precisa de ter essa imagem?

* (Mostrando uma pessoa consultando o celular enquanto outra fala alegremente) “Estamos acostumados a nos abaixarmos para olhar no celular no meio da conversa, consultar coisas, e isso é incrível. Mas tira você ‘do momento’. Não com o Glass.” Todas as saídas para o bar que fiz onde rolou um Phone Stacking foram seguramente mais divertidas. Não é porque o cara vai checar o email ou fazer check-in “pelos óculos” que a coisa vai ser menos mala. Ele vai continuar longe.

* (Vídeo em primeira pessoa de alguém andando de mountain-bike) “Pense nas possibilidades: o ciclista pode saber a velocidade que está sem perder o contato com a natureza”. É obviamente um engenheiro que não toma sol falando de algo que não sabe. Todos os amigos que conheço que curtem andar de bicicleta (eu inclusive) querem mais é justamente curtir a natureza e o momento, sem muitas interferências que podem ser, inclusive, perigosas.

A lista segue. “Olha como é mais fácil tirar fotos de crianças” – como se alguém precisasse de ainda mais fotos de bebês. Fora um exemplo dos óculos fotografando o passo-a-passo de uma receita (é bem mais fácil se você quer cozinhar e ensinar para outra pessoa), não consegui ver uma única coisa genuinamente boa, quanto menos necessária. No fim, eles jogam a bola para os desenvolvedores, dizendo que estão ansiosos para “as funcionalidades incríveis que vocês vão criar”. Porque até agora não rolou uma única, ele quis dizer.

No vídeo original de divulgação, vi coisas interessantes. É, sim, romântico cantar pra namorada compartilhando a sua vista do por do sol. Mesmo. Estar longe e aparecer em um Hangout, Skype, Facetime ou qualquer coisa para as pessoas importantes é realmente legal, possivelmente mais legal que um telefonema. Mas há alguns motivos para a videoconferência não ter pegado até agora. Quando ela vira rotineira, há dezenas de problemas que evidenciam como a simulação de realidade está muito longe da realidade em si e criam um desconforto. Poderia me alongar um bocado nisso e um dia prometo fazê-lo, mas por ora leia depois este artigo da GQ.

Alguém sabe o efeito disso no nosso cérebro?

A ideia do Glass é colocar o visor acima do olho para que você “continue no lugar, mantendo contato visual com as pessoas”. Essa explicação dos engenheiros soa bonitinha, mas é tão primária e desinformada em relação ao entendimento do cérebro humano que me deixa dúvidas se alguém fora da área de exatas esteve perto do projeto em algum de seus dois anos e meio de desenvolvimento. Podemos começar a desmontar a visão deles só pensando sobre olhar pra frente, especificamente: você já percebeu que quando temos algo difícil ou importante para falar a uma pessoa é bem comum dar pausas mais longas e olhar um pouco para baixo ou para cima? Isso não é particular dos tímidos. Acontece que simplesmente olhar na cara de uma pessoa é mentalmente trabalhoso. Temos que decifrar o que as expressões dela querem dizer, interpretar um leve sorriso e associar a memórias. Precisamos dar uma pausa nesse fluxo de informações quando estamos tentando organizar um pensamento mais complexo, concatenar as ideias na nossa cabeça antes de falar. Da mesma forma, quando estamos perdidos em algum lugar com o carro abaixamos o volume do som instintivamente. Sergey Brin acha que o Glass vai interromper menos a gente. “Porque quando você está segurando um telefone e olhando pra baixo está tirando você do ambiente à sua volta”.

A solução, Brin, é olhar menos para o telefone e prestar mais atenção ao ambiente. Não colocar a tela do telefone na nossa cara.

É bem verdade que por questões evolutivas, o nosso cérebro se dá razoavelmente bem em lidar com estímulos paralelos: conseguimos dirigir numa rota conhecida, conversar e notar um cheiro esquisito ao mesmo tempo. Nem somos tão bons assim em foco, aliás. Mas isso não quer dizer que interrupções constantes e muitas informações ao mesmo tempo são boas. Pelo contrário: há um número crescente de evidências científicas que mostram que o excesso de informações e a falta de pausas entre os estímulos prejudica a nossa compreensão. A questão é amplamente examinada em estudos no livro A geração Superficial, de Nicholas Carr. Neste artigo da Wired ele elenca diversas pesquisas que comprovam que, por exemplo, um texto sem hyperlinks aumenta a compreensão em relação ao assunto tratado em comparação ao mesmo texto cheio de armadilhas para que as pessoas saiam da página. É uma questão de educação, é claro. Eu espalhei este monte de links no texto como referência, mas eu leio tudo antes para não perder o fim da meada, antes de clicar em algo, e espero que vocês façam o mesmo.

A ideia do Glass é espalhar links nas coisas de verdade. De novo: alguém estudou os efeitos no cérebro das nossas atuais tecnologias antes de propor algo que favorece ainda mais a multitarefa alucinada? O campo de pesquisas do impacto da tecnologia no nosso comportamento ainda é bastante novo, mas em um livro lançado há poucos meses, o médico Larry Rosen, dos maiores estudiosos do assunto, propõe que muitas pessoas, especialmente os mais jovens, sofrem de o que ele batiza de iDisorder (uma doença referente à Apple, caso você não tenha pescado a sacadinha). A moléstia moderna seria uma soma de outros transtornos psiquiátricos, do narcisismo à depressão passando pelo Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Rosen argumenta, baseado em diversos estudos recentes, que as novas tecnologias, especialmente os smartphones conectados a email, SMS e redes sociais o tempo todo potencializa qualquer predisposição a essas condições. Afirma o pesquisador:

Enquanto uma porcentagem da população foi diagnosticada com este transtorno, nossa dependência em tecnologia, a disponibilidade da internet 24 horas por dia, 7 dias por semana e nosso constante uso de dispositivos faz com que todos nós nos comportemos como se tivéssemos TDAH.” 


Nosso cérebro está sempre se adaptando, é verdade, mas qual é o limite? Até quando conseguiremos lidar com tanta coisa ao mesmo tempo? Como ele vai saber que o email que precisamso responder tem prioridade sobre a 49ª partida de SongPop do dia? Eu diria que muitos já passaram um bocado do limite do sustentável pelas nossas mentes. Além de distrair mais ainda a privacidade institucionalizando os Little Brothers, o Glass é um prato cheio para potencializar as distrações. Queremos isso? Eu dizia secretamente que um dos grandes trunfos do iPad, no início, era que ele não tinha multitarefa. Depois do iOS 5, ficou muito mais difícil ler livros nele. Se a narrativa ficava chata por 3 parágrafos, apertava o home e ia jogar qualquer coisa ou clicar em uma notificação que aparecia em cima, sem nem pensar. Nós queremos ter controle, e até estou aprendendo algumas técnicas, mas no fundo somos fracos.

E, veja, estou apenas tocando algumas das possíveis implicações fisiológicas. E em relação à nossa visão? É claro que o modelo de telinha ainda vai evoluir muito, mas quão saudável é ficar alternando o foco para algo próximo? Muitos de nós já temos a Síndrome da Vibração Fantasma (quando sentimos o celular vibrando, mesmo quando ele não está), mas e quando nos acostumarmos com alertas, vamos ver pontos mesmo quando eles não existirem? E o impacto de terceirizar boa parte do nosso conhecimento, de maneira mais prática e instantânea? Além de diminuir o valor de pessoas como o PVC, o excesso de confiança em fontes externas de conhecimento diminui a nossa individualidade e nossas opiniões sobre tudo – ainda mais quando o filtro da busca é justamente as nossas pesquisas anteriores. De novo: isso já é um problema atual, que apenas se aprofundaria se a visão do Glass-cotidiano vire realidade.

A resistência é fútil?

É difícil atacar tão fortemente uma “grande inovação tecnológica” sem ser tachado de ludita, anti-tecnologia, velho ou coisa pior (se a evolução é do Google, você é Fandroid. Se a evolução é da Apple, obviamente você é pago pela maçã). Mas eu fiquei 3 anos escrevendo diariamente sobre a evolução tecnológica, além de pesquisar profundamente o assunto para o meu livro (nas livrarias em novembro, se tudo der certo! =)) e acho que tenho algum direito de pensar “ei, isso não é desejável” quando vejo coisas como o Google Glass, por todos os motivos levantados acima. O único outro artigo que vi atacando a invenção é o de Jolie O’Dell, do Venture Beat:

O Glass, como mostrado hoje, é mais um perturbador passo em direção à web de conectividade toda-social, sempre-ligada, que não é um meio para um fim, mas uma causa e consequência em si mesma. É o ideal da mente coletiva que, em muitos aspectos, já chegou.

No fim, Jolie concede que “A resistência é fútil”,  que o negócio será lançado e será um sucesso. Eu gostaria de poder parar o desenvolvimento do Glass ou pelo menos redirecioná-lo fortemente, mas minha opinião não tem todo esse alcance. E, de todo modo, há poucos indícios de que corrigiremos o curso para algo menos ultraconectado – acho a chegada do botão “não perturbe” no iOS 6 um micropasso nessa direção. Em um dos melhores livros sobre inovação tecnológica, What Technology Wants (O que a Tecnologia Quer?), Kevin Kelly compara a nossa dependência atual com nossos aparatos a outras relações biológicas do reino animal. Em 2010, ele profetizava:

Está muito claro que nós estamos criando uma memória simbiótica com a internet e as tecnologias Googlianas. Quando o Google (ou um de nossos descendentes) for capaz de entender perguntas faladas naturalmente e estiver vivendo em uma camada das nossas roupas, nós rapidamente absorveremos esta ferramenta em nossas mentes. Nós dependeremos dela, e ela vai depender de nós – tanto para continuar a existir quanto para ficar mais esperta, porque ela depende de mais gente usando para melhorar a sua compreensão. Algumas pessoas acham essa simbiose assustadora, mas não é muito diferente do nosso uso de papel e lápis em uma longa divisão.


De fato, a tecnologia precisa da gente. Pensando apenas economicamente, é razoável dizer também que o Google precisa de cada vez mais informações nossas para ganhar dinheiro com publicidade e espantar o Facebook do mercado de anúncios ultradirecionados. O Glass será uma excelente arma, sedutora para muitos de vocês. Mas será mesmo que a resistência é fútil? No livro, Kelly fala que há poucos exemplos de uma tecnologia disruptiva que foi rejeitada ativamente por um povo. O maior deles? Por questões complexas que passam pelo código de honra samurai, o Japão foi o último país do mundo razoavelmente desenvolvido a adotar a pólvora: seu atraso em 200 anos para usar a tecnologia facilitou a derrota em algumas batalhas, é verdade. Mas é impossível dissociar esse histórico ao fato de que hoje a sua polícia não usa revólveres e a sua taxa de homicídios por armas de fogo é ridiculamente baixa. No Japão, 43 pessoas morreram com um tiro em 2002. Em Maceió, 15 foram baleadas fatalmente em um único fim de semana deste ano. Quão melhor seria a nossa sociedade se tivéssemos rejeitado totalmente essa tecnologia?

Estamos acostumados a usar um bocado antes uma tecnologia sedutora e avaliar/limitar o uso bem depois, quando a situação começa a ficar incontrolável: vide o exemplo do privilégio do carro nas grandes cidades. Este não é o único caminho. Será que podemos parar um pouco para pensar se queremos mesmo que uma empresa que literalmente lucra com a nossa falta de privacidade coloque um computador do qual não podemos desviar o olhar na nossa frente o tempo todo? Com uma câmera que captura tudo à nossa frente? O freio seria bom. Podemos começar a discussão civilizadamente aqui embaixo, queria ouvir a opinião de vocês e esclarecer algumas das minhas.

Publicado em: http://jezebel.uol.com.br/por-que-o-google-glass-nao-e-o-futuro-que-precisamos/

Cresce debate sobre aspectos nocivos de viver o tempo todo na internet


Por Nelson de Sá

Há dois meses, falando a estudantes em Stanford, Mark Zuckerberg desabafou que, se voltasse no tempo para recomeçar o Facebook, ficaria em Boston, longe do Vale do Silício, dos fundos de "venture capital" e da "cultura de curto prazo". Ele tem um problema: a abertura de capital do Facebook se aproxima e a rede social dá sinais de, nos EUA, ter batido no teto.

As visitas cresceram 10% de outubro de 2010 ao mesmo mês de 2011, segundo a comScore, contra 56% de aumento no ano anterior.

Em livros e artigos, cresce debate sobre os aspectos nocivos de viver o tempo todo na internet
Saturação das redes sociais ainda está longe do Brasil, onde elas continuam a crescer
Já se fala em "saturação social", como publicou o "New York Times". Segundo depoimento de David Carr, repórter e colunista da área cultural do "NYT", 2011 foi o primeiro ano em que ele viu sua produtividade cair por causa de seu consumo de mídia. E, para 2012, Carr diz estar diante da escolha entre cortar passeios de bicicleta ou "alguns desses hábitos digitais que estão me comendo vivo".

Nas três primeiras semanas, nada. "Meu Twitter ainda está me comendo vivo, embora eu tenha tido certo sucesso em desligá-lo por um tempo", diz ele à Folha. "Na maior parte do tempo, porém, é como ter um cão amigável que quer ser sempre acariciado, levado para passear. Em outras palavras, continua me deixando louco."

Pouco a pouco, os americanos, bem como os europeus, restringem a interação on-line e se tornam "espectadores", segundo o relatório Adoção de Mídia Social em 2011, da Forrester Research. Só um terço dos americanos e europeus atualiza seus perfis em redes sociais, Twitter inclusive, toda semana.

Já nos emergentes, Brasil entre eles, dois terços dos internautas atualizam seus perfis semanalmente. Nos centros urbanos, três quartos.

O relatório visa ajudar em estratégias de negócios, alertando de que "essas tendências apresentam um desafio para o Facebook, conforme se aproxima de seu IPO [oferta pública de ações]".

Aos estrategistas de marketing, Gina Sverdlov, da Forrester, escreve: "Se você tem como alvo usuários nos mercados ocidentais, priorize dar a eles conteúdo que possam simplesmente ler ou ver. Não espere muita interação dos consumidores ocidentais".

A reação vai além das redes sociais. No final do ano, a revista "Travel + Leisure" publicou uma edição sobre "o futuro das viagens", ouvindo futuristas e proclamando que "o maior luxo do século 21 será escapar da rede" em "black hole resorts", refúgios buracos negros, com "total ausência de internet --até as paredes serão impenetráveis ao acesso sem fio".

Segundo Judith Kleine Holthaus, ex-Future Foundation, hoje responsável por estratégia e insight na McDonald's Corp., "sejam instalados no alto de montanhas ou em vilas exóticas, os buracos negros serão o ápice do movimento 'slow food' [a favor de produção camponesa], 'slow travel', 'slow' tudo --o máximo em se livrar de tudo".

Na mesma direção, espalham-se pela Ásia os centros de recuperação de viciados em internet. Na Coreia, já seriam 200. Na China, 300.

Ganham repercussão nos EUA os softwares criados por Fred Stutzman, da Universidade Carnegie Mellon, como o Freedom, um "software de produtividade" que restringe o acesso à web por um determinado número de horas.

E no último ano e meio acumularam-se os livros com questionamentos aos efeitos da internet: ela mina a criatividade, escreve Jaron Lanier em "Gadget - Você Não É um Aplicativo" (ed. Saraiva); sufoca os momentos de quietude, segundo "Hamlet's Blackberry", de William Powers, inédito no Brasil; e afasta as pessoas com ferramentas que serviriam para aproximá-las, segundo "Alone Together", de Sherry Turkle, do MIT, também inédito por aqui.

O porta-bandeira nas críticas é Nicholas Carr, autor três anos atrás de um artigo de grande repercussão na revista "Atlantic", "Is Google Making Us Stoopid?" ("O Google está nos tornando burros?"), com argumentos que depois ampliou em "A Geração Artificial" (ed. Agir). Dele, na edição mais recente: "O que são os smartphones senão coleiras high-tech?".

Link da matéria: http://www1.folha.uol.com.br/tec/1040056-cresce-debate-sobre-aspectos-nocivos-de-viver-o-tempo-todo-na-internet.shtml

Connected, but alone?



Sherry Turkle: Just a moment ago, my daughter Rebecca texted me for good luck. Her text said, "Mom, you will rock." I love this. Getting that text was like getting a hug. And so there you have it. I embody the central paradox. I'm a woman who loves getting texts who's going to tell you that too many of them can be a problem.

Actually that reminder of my daughter brings me to the beginning of my story. 1996, when I gave my first TEDTalk, Rebecca was five years old and she was sitting right there in the front row. I had just written a book that celebrated our life on the internet and I was about to be on the cover of Wired magazine. In those heady days, we were experimenting with chat rooms and online virtual communities. We were exploring different aspects of ourselves. And then we unplugged. I was excited. And, as a psychologist, what excited me most was the idea that we would use what we learned in the virtual world about ourselves, about our identity, to live better lives in the real world.

Now fast-forward to 2012. I'm back here on the TED stage again. My daughter's 20. She's a college student. She sleeps with her cellphone, so do I. And I've just written a new book, but this time it's not one that will get me on the cover of Wired magazine. So what happened? I'm still excited by technology, but I believe, and I'm here to make the case, that we're letting it take us places that we don't want to go.

Over the past 15 years, I've studied technologies of mobile communication and I've interviewed hundreds and hundreds of people, young and old, about their plugged in lives.And what I've found is that our little devices, those little devices in our pockets, are so psychologically powerful that they don't only change what we do, they change who we are.Some of the things we do now with our devices are things that, only a few years ago, we would have found odd or disturbing, but they've quickly come to seem familiar, just how we do things.

So just to take some quick examples: People text or do email during corporate board meetings. They text and shop and go on Facebook during classes, during presentations,actually during all meetings. People talk to me about the important new skill of making eye contact while you're texting. (Laughter) People explain to me that it's hard, but that it can be done. Parents text and do email at breakfast and at dinner while their children complain about not having their parents' full attention. But then these same children deny each other their full attention. This is a recent shot of my daughter and her friends being together while not being together. And we even text at funerals. I study this. We remove ourselves from our grief or from our revery and we go into our phones.

Why does this matter? It matters to me because I think we're setting ourselves up for trouble -- trouble certainly in how we relate to each other, but also trouble in how we relate to ourselves and our capacity for self-reflection. We're getting used to a new way of being alone together. People want to be with each other, but also elsewhere -- connected to all the different places they want to be. People want to customize their lives. They want to go in and out of all the places they are because the thing that matters most to them is control over where they put their attention. So you want to go to that board meeting, but you only want to pay attention to the bits that interest you. And some people think that's a good thing. But you can end up hiding from each other, even as we're all constantly connected to each other.

A 50-year-old business man lamented to me that he feels he doesn't have colleagues anymore at work. When he goes to work, he doesn't stop by to talk to anybody, he doesn't call. And he says he doesn't want to interrupt his colleagues because, he says, "They're too busy on their email." But then he stops himself and he says, "You know, I'm not telling you the truth. I'm the one who doesn't want to be interrupted. I think I should want to, but actually I'd rather just do things on my Blackberry."

Across the generations, I see that people can't get enough of each other, if and only if they can have each other at a distance, in amounts they can control. I call it the Goldilocks effect:not too close, not too far, just right. But what might feel just right for that middle-aged executive can be a problem for an adolescent who needs to develop face-to-face relationships. An 18-year-old boy who uses texting for almost everything says to me wistfully,"Someday, someday, but certainly not now, I'd like to learn how to have a conversation."
When I ask people "What's wrong with having a conversation?" People say, "I'll tell you what's wrong with having a conversation. It takes place in real time and you can't control what you're going to say." So that's the bottom line. Texting, email, posting, all of these things let us present the self as we want to be. We get to edit, and that means we get to delete, and that means we get to retouch, the face, the voice, the flesh, the body -- not too little, not too much,just right.

Human relationships are rich and they're messy and they're demanding. And we clean them up with technology. And when we do, one of the things that can happen is that we sacrifice conversation for mere connection. We short-change ourselves. And over time, we seem to forget this, or we seem to stop caring.
I was caught off guard when Stephen Colbert asked me a profound question, a profound question. He said, "Don't all those little tweets, don't all those little sips of online communication, add up to one big gulp of real conversation?" My answer was no, they don't add up. Connecting in sips may work for gathering discreet bits of information, they may work for saying, "I'm thinking about you," or even for saying, "I love you," -- I mean, look at how I felt when I got that text from my daughter -- but they don't really work for learning about each other, for really coming to know and understand each other. And we use conversations with each other to learn how to have conversations with ourselves. So a flight from conversationcan really matter because it can compromise our capacity for self-reflection. For kids growing up, that skill is the bedrock of development.

Over and over I hear, "I would rather text than talk." And what I'm seeing is that people get so used to being short-changed out of real conversation, so used to getting by with less, that they've become almost willing to dispense with people altogether. So for example, many people share with me this wish, that some day a more advanced version of Siri, the digital assistant on Apple's iPhone, will be more like a best friend, someone who will listen when others won't. I believe this wish reflects a painful truth that I've learned in the past 15 years.That feeling that no one is listening to me is very important in our relationships with technology. That's why it's so appealing to have a Facebook page or a Twitter feed -- so many automatic listeners. And the feeling that no one is listening to me make us want to spend time with machines that seem to care about us.

We're developing robots, they call them sociable robots, that are specifically designed to be companions -- to the elderly, to our children, to us. Have we so lost confidence that we will be there for each other? During my research I worked in nursing homes, and I brought in these sociable robots that were designed to give the elderly the feeling that they were understood.And one day I came in and a woman who had lost a child was talking to a robot in the shape of a baby seal. It seemed to be looking in her eyes. It seemed to be following the conversation. It comforted her. And many people found this amazing.

But that woman was trying to make sense of her life with a machine that had no experience of the arc of a human life. That robot put on a great show. And we're vulnerable. People experience pretend empathy as though it were the real thing. So during that moment when that woman was experiencing that pretend empathy, I was thinking, "That robot can't empathize. It doesn't face death. It doesn't know life."
And as that woman took comfort in her robot companion, I didn't find it amazing; I found it one of the most wrenching, complicated moments in my 15 years of work. But when I stepped back, I felt myself at the cold, hard center of a perfect storm. We expect more from technology and less from each other. And I ask myself, "Why have things come to this?"

And I believe it's because technology appeals to us most where we are most vulnerable. And we are vulnerable. We're lonely, but we're afraid of intimacy. And so from social networks to sociable robots, we're designing technologies that will give us the illusion of companionshipwithout the demands of friendship. We turn to technology to help us feel connected in ways we can comfortably control. But we're not so comfortable. We are not so much in control.

These days, those phones in our pockets are changing our minds and hearts because they offer us three gratifying fantasies. One, that we can put our attention wherever we want it to be; two, that we will always be heard; and three, that we will never have to be alone. And that third idea, that we will never have to be alone, is central to changing our psyches. Because the moment that people are alone, even for a few seconds, they become anxious, they panic, they fidget, they reach for a device. Just think of people at a checkout line or at a red light.Being alone feels like a problem that needs to be solved. And so people try to solve it by connecting. But here, connection is more like a symptom than a cure. It expresses, but it doesn't solve, an underlying problem. But more than a symptom, constant connection is changing the way people think of themselves. It's shaping a new way of being.

The best way to describe it is, I share therefore I am. We use technology to define ourselvesby sharing our thoughts and feelings even as we're having them. So before it was: I have a feeling, I want to make a call. Now it's: I want to have a feeling, I need to send a text. The problem with this new regime of "I share therefore I am" is that, if we don't have connection,we don't feel like ourselves. We almost don't feel ourselves. So what do we do? We connect more and more. But in the process, we set ourselves up to be isolated.

How do you get from connection to isolation? You end up isolated if you don't cultivate the capacity for solitude, the ability to be separate, to gather yourself. Solitude is where you find yourself so that you can reach out to other people and form real attachments. When we don't have the capacity for solitude, we turn to other people in order to feel less anxious or in order to feel alive. When this happens, we're not able to appreciate who they are. It's as though we're using them as spare parts to support our fragile sense of self. We slip into thinking that always being connected is going to make us fell less alone. But we're at risk, because actually it's the opposite that's true. If we're not able to be alone, we're going to be more lonely. And if we don't teach our children to be alone, they're only going to know how to be lonely.

When I spoke at TED in 1996, reporting on my studies of the early virtual communities, I said, "Those who make the most of their lives on the screen come to it in a spirit of self-reflection."And that's what I'm calling for here, now: reflection and, more than that, a conversation about where our current use of technology may be taking us, what it might be costing us. We're smitten with technology. And we're afraid, like young lovers, that too much talking might spoil the romance. But it's time to talk. We grew up with digital technology and so we see it as all grown up. But it's not, it's early days. There's plenty of time for us to reconsider how we use it,how we build it. I'm not suggesting that we turn away from our devices, just that we develop a more self-aware relationship with them, with each other and with ourselves.

I see some first steps. Start thinking of solitude as a good thing. Make room for it. Find ways to demonstrate this as a value to your children. Create sacred spaces at home -- the kitchen, the dining room -- and reclaim them for conversation. Do the same thing at work. At work, we're so busy communicating that we often don't have time to think, we don't have time to talk, about the things that really matter. Change that. Most important, we all really need to listen to each other, including to the boring bits. Because it's when we stumble or hesitate or lose our words that we reveal ourselves to each other.

Technology is making a bid to redefine human connection -- how we care for each other, how we care for ourselves -- but it's also giving us the opportunity to affirm our values and our direction. I'm optimistic. We have everything we need to start. We have each other. And we have the greatest chance of success if we recognize our vulnerability. That we listen when technology says it will take something complicated and promises something simpler.

So in my work, I hear that life is hard, relationships are filled with risk. And then there's technology -- simpler, hopeful, optimistic, ever-young. It's like calling in the cavalry. An ad campaign promises that online and with avatars, you can "Finally, love your friends love your body, love your life, online and with avatars." We're drawn to virtual romance, to computer games that seem like worlds, to the idea that robots, robots, will someday be our true companions. We spend an evening on the social network instead of going to the pub with friends.

But our fantasies of substitution have cost us. Now we all need to focus on the many, many ways technology can lead us back to our real lives, our own bodies, our own communities,our own politics, our own planet. They need us. Let's talk about how we can use digital technology, the technology of our dreams, to make this life the life we can love.
Thank you.

O impacto das tecnologias sobre as relações pessoais

O programa "Espaço Aberto - Ciência e Tecnologia" da Globo News fez uma reportagem a respeito do impacto das tecnologias sobre as relações pessoais. Veja o vídeo: